Por Maurício Nogueira
Um grupo de congressistas de oposição ao governo Lula, e, claro, pró-Jair Bolsonaro, classificou, nesta quarta-feira (19), a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente como “peça de ficção” encomendada sem provas concretas. Segundo os parlamentares, há uma perseguição política em curso contra Bolsonaro e seus aliados. “A denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o nosso presidente Jair Bolsonaro pela suposta tentativa de golpe de Estado, entre outros crimes alegados, mas jamais comprovados, representa mais um degrau nessa escalada criminosa contra a liberdade dos brasileiros”, disse o líder da oposição na Câmara, Coronel Zucco (PL-RS).
Junto a ele estavam alguns dos principais nomes do bolsonarismo no Congresso, que seguravam cartazes com os dizeres “Anistia já!” — em referência ao projeto que quer tornar mais brandas as penas aos responsáveis pelo vandalismo na Esplanada no 8 de janeiro —, e “Perseguição política”.
“Trata-se de uma série de acusações desprovidas de evidências concretas que sustentem as graves acusações imputadas. Uma verdadeira peça de ficção. Uma denúncia encomendada para gerar um resultado que todos já conhecem. Denúncia essa baseada em delações e presunções”, reiterou Zucco.
"É sempre bom lembrar que Bolsonaro será julgado por aqueles que se vangloriaram de ter derrotado o bolsonarismo. O sistema se esforçou como nunca para tirar Lula da cadeia e colocá-lo de volta no poder”, completou.
O líder acrescentou que integrantes da direita brasileira têm sido alvo de medidas que violam a Constituição e tratados internacionais.
Zucco apelou para ONG's de defesa de direitos humanos, à imprensa e outros países para pressionarem o Judiciário brasileiro como forma de livrar Bolsonaro de uma condenação.
"Apelamos a organizações internacionais de defesa de direitos humanos, à imprensa independente e a todas as nações que voltem seus olhos ao nosso País e pressionem as autoridades responsáveis", disse Zucco.
A líder da Minoria na Câmara, Caroline de Toni (PL-SC) enfatizou que, mesmo tendo mais de 200 páginas, o parecer da PGR é baseado apenas na colaboração premiada de Cid. "Uma delação que teve idas e vindas, altos e baixos, mudanças na sua narrativa. Uma prova frágil", declarou.
No entanto, a denúncia levou em conta outras provas, como os documentos que embasou plano para matar Lula, Moraes e o vice-presidente Geraldo Alkcmin (PSB). Segundo Gonet, a trama contou com o aval de Bolsonaro.
Denúncia
A Procuradoria-Geral da República denunciou ontem (18) o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais 33 pessoas por participação em uma tentativa de golpe de Estado entre o fim de 2022 e o início de 2023.
Os 34 denunciados são acusados de integrar organização criminosa armada; tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito; golpe de Estado; dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra o patrimônio da união, e com considerável prejuízo para a vítima; e deterioração do patrimônio tombado.
A denúncia foi baseada em uma série de provas colhidas pela Polícia Federal ao longo de uma extensa investigação e também na delação do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid.
Cabe ao Supremo Tribunal Federal (STF), agora, analisar as denúncias. O caso é relatado pelo ministro Alexandre de Moraes. Se o Supremo aceitar as denúncias, Bolsonaro e os demais denunciados serão julgados e podem ser presos.