Política MOTTA MUDA DISCURSO
Motta avisa líderes de que não adianta aprovar a anistia: STF vai declarar 'inconstitucional'
Parlamentares veem o presidente da Câmara querendo tirar o assunto do caminho. Anistia aos envolvidos na tentativa de golpe é uma bandeira da oposição ao governo Lula
21/05/2025 10h45
Por: Redação
Líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL) / Agência Câmara

Por Maurício Nogueira

O projeto que anistia os condenados pelos atos golpistas do dia 8 de janeiro voltou à discussão na reunião de líderes partidários desta terça-feira (20), após uma semana de recesso informal na Câmara. No encontro, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse aos parlamentares que não adianta aprovar uma proposta que será considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo relatos de líderes presentes, parlamentares da oposição estavam na reunião e levaram o assunto à discussão no fim do encontro. Na reunião, de acordo com quatro líderes ouvidos pela Globonews, Motta disse que não adianta o Congresso aprovar um texto, o presidente Lula sancionar e o STF declarar inconstitucional.

A sinalização foi lida pela própria oposição como um recado de que o Supremo precisa estar de acordo com o texto.

O líder do PP, Dr. Luizinho (RJ), sugeriu que alguém apresentasse um esboço de relatório alternativo ao texto que vem sendo defendido pela oposição.

A versão mais recente do relatório é ampla e perdoa atos do passado ou do futuro que tenham alguma conexão com o dia 8 de janeiro, inclusive crimes eleitorais, e garante os direitos políticos dos condenados (ou seja, a possibilidade de concorrer às eleições). A leitura é que o projeto é direcionado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), disse que se recusa a construir um texto que precise do aval do STF. E lembrou aos parlamentares que já elaborou uma proposta alternativa e mais enxuta, que dá anistia parcial aos envolvidos no dia 8 de janeiro, mantendo apenas as condenações para quem foi filmado destruindo o patrimônio público.

Mais de um líder presente interpretou a fala de Motta como uma tentativa de tirar o assunto do caminho, que tem contaminado qualquer outro assunto da pauta. Avaliam que ele se sensibiliza com penas que considera excessivas, mas que não vai se indispor com o Supremo por conta disso.

Além disso, a avaliação de um líder da base governista é que a sugestão para se criar um novo texto funciona como uma forma de encurralar os deputados do PL para que eles deixem claro que o projeto da anistia não deve valer para Bolsonaro.

Motta desalinhado

Sóstenes Cavalcante já concluiu que Hugo Motta faz o jogo do STF ao barrar mais uma vez o andamento do projeto que visa anistiar manifestantes dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

O paraibano avisou a líderes partidários que não se debruçaria sobre texto que seria declarado inconstitucional pela Corte imediatamente após uma eventual aprovação pelo Congresso. 

Aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, Sóstenes entende que a oposição não desistirá da iniciativa. E que há uma estratégia para pressionar Motta a pautar o tema nos próximos meses.

“Vamos vazar novo texto do PL da Anistia para mostrar que não é inconstitucional e que resistência é movida por capricho de ministros do STF que não querem reconhecer que erraram ao estabelecer penas exageradas", disse o líder o PL.