Política SEM SER PRESIDENTE
Bolsonaro quer manter foco no Legislativo em 2026
Ex-presidente almeja conquistar maioria na Câmara e no Senado, evitando pressões para indicar sucessor à Presidência
30/06/2025 06h58 Atualizada há 1 ano
Por: Redação
Rovena Rosa/Agência Brasil

Por Maurício Nogueira

Jair Bolsonaro (PL) reforçou sua estratégia política para as eleições de 2026, focando, principalmente, no Legislativo. Durante um ato na avenida Paulista neste domingo (29), o ex-presidente detalhou seus planos, priorizando a conquista de uma maioria tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado. Bolsonaro declarou que, para manter sua liderança política, não precisa ocupar a presidência da República. Ele afirmou: O discurso de Bolsonaro foi precedido por falas de deputados federais e senadores, incluindo seu filho, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), um dos principais nomes cotados para disputar a Presidência da República em 2026, quando Bolsonaro estará inelegível. 

O ex-presidente disse no ato na Avenida Paulista, que não precisa ser presidente do Brasil novamente. “Digo mais: nem eu preciso ser presidente; o Valdemar Costa Neto, presidente do PL me mantendo como presidente de honra do Partido Liberal, nós faremos isso por vocês”, afirmou.

Bolsonaro disse que, como dirigente do PL, ele também muda o destino do País."Me deem 50% da Câmara e do Senado que eu mudo o destino do Brasil." O ex-presidente também mencionou que, se mantido no cargo de presidente de honra do PL por Valdemar Costa Neto, poderá exercer essa liderança efetivamente.

Ao enfatizar as eleições legislativas, Bolsonaro parece tentar afastar a crescente pressão para que indique um sucessor para concorrer ao Palácio do Planalto contra o atual presidente em 2026. Nos bastidores, especialmente entre líderes do Centrão, há um clamor para que o ex-presidente aponte logo um nome para iniciar a construção de uma candidatura.

Entretanto, Bolsonaro evitou detalhar se indicaria um de seus filhos, um aliado próximo ou até mesmo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como possível candidata. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou a afirmar que seu pai "não terá vaidade" em definir um nome para suceder o ex-presidente.

Desafios jurídicos

A situação jurídica de Bolsonaro adiciona complexidade à sua estratégia política. Atualmente inelegível, ele enfrenta, em breve, o julgamento final do processo que apura uma tentativa de golpe de Estado no país, previsto para setembro. Aliados próximos ao ex-presidente acreditam em uma possível condenação do político.

Diante desse cenário, o discurso de Bolsonaro e seus aliados tem-se concentrado em alegar perseguição política. Flávio Bolsonaro chegou a chamar o processo de "aberração jurídica" e "inquisição", argumentando que não se trata de um julgamento justo.

A estratégia parece ser dupla: por um lado, reforçar as críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e, por outro, já lançar as bases para as eleições de 2026. O PL, partido de Bolsonaro, já elegeu a maior bancada da Câmara em 2022, o que é crucial para a definição do fundo partidário e do fundo eleitoral.

No Senado, Bolsonaro vê a oportunidade de fazer frente ao Supremo, buscando eleger o maior número possível de senadores alinhados à direita em 2026. Essa estratégia também visa garantir cargos em comissões e na Mesa Diretora de ambas as casas legislativas.

Ausências

Duas das principais lideranças do PL, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira (MG) não participaram do ato da direita na avenida Paulista (SP), ao lado de Jair Bolsonaro, neste domingo (29).

A desculpa de ambos é que ambos já tinham compromissos assumidos antes da convocação para a manifestação deste domingo. Presidente do PL Mulher, Michelle tinha um evento voltado para o público feminino em Roraima. "Estava agendado há dois meses", disse à CNN o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).

Michelle é apontada como uma opção da direita para a disputa pelo Palácio do Planalto em 2026, substituindo Bolsonaro, que está inelegível até 2030.

Já Nikolas Ferreira disse à CNN que não compareceu porque já tinha um compromisso familiar assumido anteriormente. Em atos anteriores realizados na avenida Paulista, o parlamentar fez alguns dos discursos mais duros, todos com críticas ao STF (Supremo Tribunal Federal). "Sou padrinho de casamento da minha prima aqui em Belo Horizonte. A logística não permitia [ir ao ato]", justificou Nikolas.

Nas redes sociais, o deputado viraliza com críticas ao governo Lula. Apenas no Instagram, ele soma 17,9 milhões de seguidores e é uma das apostas do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, pela capacidade de difundir as ideias da direita.

Mobilização bolsonarista

O ato, que ocorreu na reta final do processo que apura uma tentativa de golpe de Estado no país, focou em reforçar o discurso de que há uma "perseguição" contra o ex-presidente e subiu o tom contra ministros do STF..

A manifestação deste domingo teve menor adesão que as edições anteriores. Uma das justificativas de parlamentares do PL é justamente que a convocação foi feita com um tempo muito curto e, por isso, levou menos apoiadores às ruas.

À CNN, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), citou que o ato foi convocado com 14 dias de antecedência. Ele disse que uma nova convocação de bolsonaristas será marcada para 7 de Setembro.

O entorno do ex-presidente argumenta que a repetição da mensagem de que há uma perseguição contra a direita é mais importante que a imagem da avenida Paulista lotada.

A aposta bolsonarista é explorar trechos dos discursos para engajamento nas redes sociais e manter a militância mobilizada na reta final do processo da trama golpista no STF. A previsão é que o ex-presidente e outros sete réus do chamado núcleo crucial sejam julgados até setembro.