Política OBSTRUÇÃO INÚTIL
Motta nega ter negociado pauta com oposição em troca da desocupação do plenário da Câmara
Declaração do presidente da Câmara veio após a oposição afirmar que firmou acordo que envolve a tramitação do PL da Anistia e da PEC do fim do foro privilegiado
07/08/2025 17h56
Por: Redação
Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Por Maurício Nogueira

Após dois dias com os plenários ocupados por bolsonaristas, a Câmara e o Senado retomaram as atividades normalmente nesta quinta-feira (7). Apesar da oposição ter anunciado um acordo que envolve a tramitação do PL da Anistia e da PEC do fim do foro privilegiado, o presidente Hugo Motta negou que tenha negociado com os aliados do ex-presidente qualquer acordo. A saída dos deputados foi tensa e só ocorreu após a intervenção do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira. A deputada, Júlia Zanatta, do PL, chegou a levar a filha de 4 meses para o plenário em meio ao clima de confusão, além do deputado Marcel Van Hattem, do Novo, que ficou sentado na cadeira do presidente mesmo com Hugo Motta no local.

Os parlamentares responsáveis pelo motim devem ser alvo de algum tipo de representação, porque atrapalharam os trabalhos. Hugo Motta está irritado com a situação e negou qualquer acordo com o governo ou a oposição.

"A presidência da Câmara é inegociável, quero que isso fique bem claro. As matérias que estão saindo sobre a negociação feita por esta presidência para que os trabalhos fossem retomados não está vinculada a nenhuma pauta. O presidente da Câmara não negocia as suas prerrogativas, nem com a oposição, nem com o governo, nem com absolutamente ninguém."

Nos bastidores, no entanto, o projeto da anistia não tem praticamente nenhuma chance de ter andamento, mas a PEC do fim do Foro pode ser pautada, mas não se sabe se terá votos para ser aprovada.

No senado, o motim terminou depois que Alcolumbre convocou sessão virtual, o que tornaria a ocupação da mesa ineficaz. O líder do PL, no entanto, minimizou dizendo que conseguiu assinaturas de metade da Casa apoiando o impeachment de Alexandre de Moraes.

"Nós temos uma pauta eleitoral que está desobstruída, nós temos menos de 33 assinaturas de senadores a favor do impedimento do ministro, que hoje é o xerife do Brasil, e temos hoje 41 senadores, a maioria do Senado. Se isso não for uma vitória, eu não sei o que é vitória, no momento que o Brasil está passando."

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O número de assinaturas, no entanto, não obriga Davi Alcolumbre a pautar a medida, como explicou o senador Jaques Wagner, do PT.

"Ele firmou uma posição na reunião de ontem, que ele não abriria mão das prerrogativas de presidente do Senado e do Congresso, e pelo texto constitucional, a admissibilidade de qualquer processo de impeachment de ministro supremo pertence ao presidente do Congresso Nacional. O que ele vai fazer, eu não tenho o bola de cristal para adivinhar, mas ele foi bem claro que pode ter 20, pode ter 30, pode ter 40, pode ter 60 assinaturas, a admissibilidade é uma decisão dele."

Na volta dos trabalhos, o senado aprovou a manutenção da isenção do IR para quem ganha até dois salários mínimos, cerca de R$ 3 mil por mês. O texto vai para sanção do presidente Lula.