Por Maurício Nogueira
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o influenciador e jornalista Paulo Figueiredo, como de hábito, usam as redes sociais nesta terça-feira (23) para interpretar o discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a Assembleia Geral da ONU. Ambos articulam no governo dos EUA sanções contra autoridades brasileiras. Eles argumentam que os elogios de Trump para Lula seriam uma armadilha e que o republicano foi um “gênio” e deixou o petista em situação difícil.
Na primeira publicação sobre o tema, Figueiredo afirmou que o ex-presidente americano é um "gênio". Na visão do jornalista, a estratégia de Trump de elogiar Lula e, ao mesmo tempo, denunciar o que chamou de “ditadura brasileira” coloca o presidente do Brasil em uma situação delicada.
“Deixou o presidente brasileiro numa situação impossível: ter que ir para a mesa de negociação ouvir verdades e negociar algo que não tem como cumprir. Entenderam que a anistia será ampla, geral e irrestrita?”, questionou Paulo.
Já na visão de Eduardo Bolsonaro, a fala de Trump não é “nada de novo”. “Ele fez exatamente o que sempre praticou: elevou a tensão, aplicou pressão e, em seguida, reposicionou-se com ainda mais força na mesa de negociações. Ontem mesmo, sancionou a esposa do maior violador de direitos humanos da história do Brasil, um recado claro e direto”, destacou Eduardo.
Para o parlamentar, a postura de Trump reafirma sua “genialidade como negociador”.
Eduardo declarou que o Brasil precisa estar ao lado dos EUA e disse estar confiante em uma anistia “ampla, geral e irrestrita” aos condenados pelos atos de 8 de janeiro.
O jornalista minimizou a forma como Trump tratou Lula. “Todo dia Trump elogia líderes do mundo inteiro, como os da Índia, China, Rússia. E coloca mais tarifas no bumbunzinho deles até que façam o que ele quer. Mas tudo com muito amor e carinho”, publicou Paulo Figueiredo.
Na mesma linha Eduardo Bolsonaro garantiu que apenas “alguém fora de si” poderia interpretar a fala de Trump como algo bom para a esquerda.
“Trump ainda termina o assunto Brasil dizendo: ‘O Brasil vai mal e continuará indo mal, ele só irá bem se trabalhar conosco’. Para bom entendedor, meia palavra basta”.
Encontro entre Lula e Trump
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse nesta terça-feira (23/9) que uma conversa entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do Brasil, e Donald Trump, dos Estados Unidos, na próxima semana, deverá ser por telefone.
Em entrevista concedida à jornalista Christiane Amanpour, da CNN Internacional, o chanceler brasileiro destacou que havia a intenção de realizar um encontro presencial entre os mandatários, algo que não deve acontecer devido às agendas cheias dos presidentes. Pelo menos, a expectativa de conciliarem as agendas nos próximos dias está sob avaliação de ambos os presidentes, a chance de ser um contato por videoconferência é a mais preponderante.