Por Maurício Nogueira
Mesmo depois de líderes bolsonaristas afirmarem que o ex-presidente Jair Bolsonaro apoiará a candidatura à Presidência da República do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, este tem orientado seus aliados a não o tratarem publicamente como um futuro candidato, segundo relatos de bastidores. A postura de moderação foi notada durante um evento de entrega de habitações em Embu das Artes, na Região Metropolitana de São Paulo. Enquanto em uma agenda anterior, no mesmo local, Tarcísio havia sido tratado como “presidenciável” e “futuro presidente” por diversos convidados, nos discursos do evento mais recente, o tom mudou.
Em vez de projetar o governador à Presidência, as falas dos convidados ficaram mais cautelosas, desejando apenas que “o caminho seja o melhor para o governador”. Estão em tratativas um encontro entre Bolsonaro e Tarcísio na residência do ex-presidente, que está em prisão domiciliar e, ainda, será necessária a autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Portanto, a data ainda não está fixada.
De acordo com aliados próximos, o próprio Tarcísio de Freitas se sente incomodado ao ser tratado como presidenciável. Uma das razões para isso seria o aumento das rusgas e do atrito com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Embora o nome do governador seja um dos mais falados no Congresso Nacional devido ao seu protagonismo em temas como a anistia, a orientação é para que os aliados evitem discursos que o coloquem diretamente na corrida presidencial.
No Palácio dos Bandeirantes, o cenário atual tem sido “mais desanimador” para Tarcísio tentar uma candidatura à Presidência. Fatores como a evolução do discurso do presidente Lula sobre soberania, as manifestações recentes nos atos de 7 de Setembro e um tom mais duro com o Supremo Tribunal Federal, além da perda de força da pauta da anistia, são vistos como elementos de desânimo para o governador.
O ex-presidente Jair Bolsonaro deu aval para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disputar as eleições presidenciais com seu apoio. O acordo foi costurado com os líderes do PP e do União Brasil. A dúvida agora é quando a decisão será anunciada.
Um grupo defende esperar até dezembro ou janeiro, sob o argumento de que isso livraria Tarcísio de ser acusado pelos eleitores de usar o governo de São Paulo como trampolim para o Planalto.Porém, os mesmos políticos afirmam que Bolsonaro é imprevisível e que ele é quem definirá o calendário. Tarcísio deve se reunir com Bolsonaro na semana que vem.