Economia ROUBADA ONLINE
Barbada não existe nas bets
Não entre nessa de que jogo de azar é diversão
27/10/2025 18h59
Por: Redação
Joédson Alves/Agência Brasi

A elevada impregnação na sociedade está na mesma proporção do quanto provoca a preocupação com uma de suas mais temidas consequências. Trata-se do vício inerente aos jogos que leva à derrocada sem volta nas vidas de usuários apostadores. Traz consigo o destroçamento de famílias por conta de “diversão”, palavra utilizada pelas bets para disfarçar o perigo das apostas. A ilusão de que na próxima aposta o prêmio será alcançado acaba sempre tarde, ou seja, quando a banca leva tudo. Apostadores frustrados pertencentes às classes mais fragilizadas mentalmente são vítimas. É o que também se verifica em jovens de classe média e trabalhadores assalariados, ávidos pelo chamado “dinheiro fácil”. A palavra bet tem origem no vocábulo em inglês, o verbo "to bet", que significa apostar – e assim as apostas esportivas ou não ficaram conhecidas em sua versão de jogos online.

Nos últimos anos, as apostas esportivas se popularizaram no Brasil, por serem muito acessíveis, em decorrência das facilidades proporcionada pela internet. Alavancada pela intensa divulgação na mídia, por meio de parcerias com influenciadores e patrocínios de grandes eventos.

E, claro, o controle acaba ficando em segundo plano, assim como campanhas de conscientização dos malefícios com milhares de exemplos de pessoas que vêm as “odds” (oportunidades) se transforem em buracos profundos.

As empresas de bet se estabeleceram na economia como patrocinadoras de clubes de futebol, ocupando, inclusive espaços em camisas de clubes onde anteriormente eram ocupados por nomes de bancos.

Vale lembrar que não só aqui no Brasil, mas em vários países as propagandas invadiram múltiplos espaços, como as laterais de campos de futebol, arenas de shows entre outros.

Um exemplo da penetração das bets nos meios de comunicação foi a TV Band que, em busca de aumento de receita, ingressou no segmento.

O grupo bandeirantes desenvolveu plataforma com diversas modalidades de jogos de azar, cassino online, além de disponibilizar o Fortune Tiger, o popular Tigrinho.

Provavelmente, não veremos reportagens trazendo vítimas socio-econômicas com o perfil de trabalhador que perderam não só todo o dinheiro, mas também a família e a dignidade, como muitos que trilharam o caminho da tal “diversão”.

Uma pergunta que não quer calar. Quem joga todas as semanas compulsivamente nos produtos oferecidos pela Caixa Econômica Federal são viciados ou nesse caso é diferente?  

A ascensão das bets fez até o governo federal cair na tentação. O presidente Lula irá enquadrar o presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Carlos Vieira, em reunião cuja pauta será anúncio de que o banco vai lançar um sistema de apostas esportivas próprio. O momento do encontro será na volta de Lula da Ásia, em princípio na próxima semana.

A ideia do presidente é rediscutir a decisão de lançar o sistema “Bet da CEF”, que vem sendo criticado por opositores ao jogo de azar por ir na contramão do discurso crítico do governo a apostas esportivas. Vieira anunciou o lançamento da “Bet da Caixa” na segunda-feira (20), em entrevista ao site “Money Times”.

O presidente do banco afirmou que a plataforma de apostas iria ser lançada no final de novembro, com previsão de arrecadação de R$ 2 bilhões a R$ 2,5 bilhões em 2026.

“Nosso objetivo é que a bet esteja no ar até o final de novembro. Este ano, os números acumulados (com as loterias) foram menores, e isso interfere nos resultados”, declarou Vieira.

O presidente Lula tem externado que “jamais permitiremos apostas”. Ele permitiu a regulamentação e definiu um marco legal. No entanto ele condiciona a manutenção desse mercado ao cumprimento de critérios de proteção, transparência e responsabilidade. Se esses critérios falharem, aí, sim, ele se posiciona favorável a uma proibição ou até restrição severa. E vão falhar.

Depois que se soube do uso de dinheiro do Bolsa Família ser utilizado em apostos pelos trabalhadores, Lula já falou sobre o seu descontentamento de ver essa categoria de beneficiários se perder no jogo de azar ao invés de usar o dinheiro para fins de subsistência. Ao que tudo indica a Bet da Caixa poderá ser engavetada.

Esse escriba, certa vez, conversando com um porteiro, que obviamente, ficará no anonimato, sobre o tema jogos de azar, ele me confidenciou que jogava todos os dias religiosamente no tradicional Jogo do Bicho em Brasília-DF. Quanto aos ganhos, R$ 20 a R$ 30. Já em relação às perdas, não sabia dizer o total até o dia daquele bate-papo. 

Já em outra ocasião um prestador de serviço que tive o prazer de conhecer pelo trabalho feito a contento, citou-me que um parente próximo dele jogava compulsivamente o “consagrado” Tigrinho. E, curiosamente, chegava a comemorar quando conseguia faturar dezenas de reais. O irmão não conseguia se conformar com o comportamento do mano perdendo o dinheiro suado e tampouco com o sentimento de impotência para mudar a chave contra o jogo impregnado na mente do próprio irmão.

Conscientize-se e a seus próximos e amigos do quanto perigoso e danoso é entrar nessa de achar que apostar é “diversão” como diz o marketing na divulgação de diversos tipos de bets. Não entre nessa roubada “divertida”. Barbada não existe nas bets.