Por Maurício Nogueira
O incêndio cirúrgico no parquinho que o presidente dos EUA, Donald Trump, proporcionou à Venezuela culminou com o sequestro do ditador e ex-presidente Nicolás Maduro e da esposa Cilia Flores. Caso não tenha notado o ex-comandante em chefe venezuelano sempre lembrou muito o personagem Professor Girafales do seriado Chaves. Um trapalhão.
Nesse episódio da história não há santos nem anjos, vale ressaltar. No momento em que escrevia esse texto, Trump dava sinais fortes de continuar com as investidas para buscar novos “negócios”. Cofitava-se Cuba como novo alvo, mas foi a Groenlândia a escolhida para declarar intenção de de "compra".
Assim fora anunciado o interesse dos EUA em comprar a Groenlândia, que pertence à Dinamarca. Inicialmente, Trump teve um tom amistoso, manifestando o interesse. A Dinamarca cravou que o território não estava à venda. Por sua vez, Trump disparou, inicialmente, que não descartaria o uso das Forças Armadas como argumento de persuasão. Países da Europa se posicionaram imediatamente contra as ambições de Trump.
O território na alça de mira de Trump possui grandes reservas de petróleo, gás natural e recursos hídricos, “terras raras” -- com metais de difícil extração fundamentais para tecnologias, de alta performance, como magnéticas superpotentes, que utilizadas na produção carros elétricos, turbinas eólicas, celulares, equipamentos militares e nos motores de veículos eletrificados. Além disso a posição da Groenlândia é estratégica em termos geoeconômicos.
Em troca de estratégia de "compra", o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, já declarou que planeja se reunir com o governo da Dinamarca com o intuito de avançar as negociações na semana entre 12 e 16 de janeiro. Essa última versão do governo norte-americano, na tentativa de fechar negócios, contempla meios diplomáticos, sem beligerância, definitivamente, ou quase isso.
Em meio às confabulações entre Trump a vice interina, o agora prisioneiro, Nicolás Maduro, cria do Tenente-Coronel de Exército, Hugo Chávez, que foi acusado de comandar o Cartel de Los Soles, teve esse "crime" suprimido da lista apresentada pelo governo dos EUA. No entanto, deverá responder por conspiração de narcotráfico, conspiração de importação de cocaína; posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos.
Com a prisão do casal venezuelano, a vice-presidente Delcy Rodriguez tomou posse interinamente. Segundo o governo ela mantém contato com Trump. Por sua vez, o presidente dos EUA exigiu que ela se comportasse e respeitasse as instruções do governo norte-americano. Ao que ela se prontificou. A expectativa é de que nos próximos dias seja anunciada a comissão de “transição de intervenção”, ou se preferir “de anexação”.
Com resultado prático das negociações, na terça-feira (6), Trump anunciou que o governo interino da Venezuela se comprometeu a entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo aos EUA na sua rede social Truth Social. “Este petróleo será vendido ao seu preço de mercado, e esse dinheiro será controlado por mim, como presidente dos EUA, para garantir que seja usado em benefício dos povos da Venezuela e dos EUA.”
Os contatos entre Trump e a vice interina tiveram outros efeitos. Foram trocados postos-chave da segurança e da área econômica do governo. Na noite de terça-feira, 6, ela anunciou a substituição do comando da Guarda de Honra Presidencial e da Direção Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM), que passarão a ser chefiadas pelo general Gustavo González López, informou a TV estatal venezuelana.
Ao que se vê, os discursos proferidos por Delcy Rodriguez para os cidadãos venezuelanos, que preconizava o sentido de resistência à intervenção ianque, foram ajustados e é um. As ações que são músicas para os ouvidos de Trump são outras, completamente. O velho estilo do faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço.