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RUA GUAICURUS INVESTIGA RELAÇÃO ENTRE PERSONAGENS EM UMA DAS MAIORES ZONAS DE PROSTITUIÇÃO DO PAÍS

Filme de João Borges, que chega aos cinemas em 14/07, traz no elenco garotas de programa que trabalharam na região

Redação
Por: Redação Fonte: Da Assessoria de Imprensa
14/07/2022 às 18h05
RUA GUAICURUS INVESTIGA RELAÇÃO ENTRE PERSONAGENS EM UMA DAS MAIORES ZONAS DE PROSTITUIÇÃO DO PAÍS
Foto: Divulgação

RUA GUAICURUS estreia nos cinemas nesta quinta-feira, dia em 14 de julho, nas cidades de Belo Horizonte, São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Manaus, Brasília e Balneário Camboriú, com distribuição da Embaúba Filmes.

Partindo de uma combinação entre o documental e a encenação, o diretor mineiro João Borges cria em RUA GUAICURUS um filme único sobre o universo da prostituição no local que dá título ao longa, e fica em Belo Horizonte. “A elaboração de um roteiro híbrido me ajudou a ter maior controle sobre o plano de filmagens, as locações, os personagens e atores que toparam participar”, conta o cineasta.

João partiu de longo processo de pesquisa, que começou em 2016, quando participou de uma residência artística, em parceria com a Associação das Prostitutas de Minas Gerais (APROSMIG), realizada nos hotéis de prostituição da rua Guaicurus. Ele produziu, na ocasião, uma série de imagens usando uma câmera de infravermelho, registrando as trabalhadoras do sexo e seus clientes dentro dos quartos dos hotéis de prostituição. Depois disso, ao lado de Marina França, pesquisadora do tema, e Francilins Castilho, fotógrafo e artista plástico, escreveu o projeto para o filme, que foi contemplado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.

Um dos maiores desafios que o cineasta enfrentou para fazer RUA GUAICURUS foi conseguir autorização de clientes e dos donos de hotéis de prostituição para realizar as filmagens para o longa. “Por isso convidamos atores para desempenhar esses papéis. Convidei também uma atriz para fazer o papel da prostituta que estava começando na profissão. Os atores interpretaram seus personagens inspirados em histórias que foram contadas durante o processo de pesquisa. Acho que essa relação contribuiu para a dramatização do filme: o ator profissional trazia segurança ao não-profissional. E este, por sua vez, contribuiu para a improvisação, a espontaneidade, aquilo que escapasse ao controle, dando o tom documental que o filme apresenta.”

O diretor define a Rua Guaicurus, que existe desde os anos de 1950, como “uma zona moral”. “Ninguém diz que vai lá, ela é condenada pelo julgamento alheio; no entanto, atravessa os tempos. O conjunto de prédios antigos do baixo centro, em estilo art déco, é um verdadeiro patrimônio da cidade e se mantém de pé graças à atividade sexual intensa da região.”

Uma das atrizes do filme é Elizabeth Miguel, que trabalhou como garota de programa naquela rua entre 2014 e 2017. Ela conta que conheceu o cineasta na época em que João realizava sua pesquisa para o filme. “Ele foi me convencendo aos poucos, eu não fui convencida de uma vez. E foi bem revelador pra mim, porque a minha família não sabia que eu era garota de programa, eu não tinha uma confiança aprofundada  ainda, eu tinha um certo receio, sabe? Mas conforme as coisas foram acontecendo, o João foi me falando como era o trabalho, que era um trabalho sério, na maior parte didático, então fui tomando confiança, conhecendo a equipe.”

Elizabeth explica que, no filme, consegue ver a Rua Guaicurus muito bem retratada, como ela de fato é. “É um ambiente sexual, os hotéis na Guaicurus são de ambientes puramente sexuais. Quando você sente aquela atmosfera no filme, vê os clientes passeando pelo corredor, abordando as meninas, você percebe que é realmente daquele jeito que acontece, que é realmente daquela forma que se trabalha no dia a dia, no cotidiano. Isso me chamou muita atenção porque é muito difícil de retratar.”

João, por sua vez, aponta que RUA GUAICURUS traz coisas que passam despercebidas aos olhos dos transeuntes que passam pela região. “Acho que o filme supera uma visão estereotipada e preconceituosa da prostituição. As trabalhadoras do sexo são objetificadas em sua profissão e, neste sentido, o filme supera este olhar,  entrando em seus cotidianos, revelando camadas afetivas que estão para além das relações prostitutivas.”

Ficha técnica

Direção: João Borges

Roteiro: João Borges

Produção executiva: Mariana Andrade

Direção de fotografia: Lucas Barbi

Direção de arte: Mol Thais

Edição: Fabian Remy

Direção de som: Victor Brandão

Sound Design: Lucas Oscilloid

Design: Fred Paulino

Assistência de direção: Mariana Andrade e Thais Mol

Pesquisa: Christiane Tassis e João Borges

Direção de produção: Thiago Landi

Assistência de produção adicional: Luna Gomides

Gestão financeira: Diana Gebrim e Roberta Abreu

Finalização: Lucas Barbi

Atrizes: Ariadina Paulino, Elizabeth Miguel, Shirley Santos

Ator: Carlos Francisco

Produção: Yara Filmes

Distribuição: Embaúba Filmes

Ano: 2019

Duração: 75 min.

Sobre João Borges

João Borges nasceu em Belo Horizonte, onde vive e trabalha como diretor de cinema e roteirista. Seus filmes participaram de importantes festivais nacionais e internacionais. Seu primeiro curta-metragem, “Cajaíba” (2011), foi exibido em diversos festivais, ganhou menção honrosa no Festival Lume de Cinema e foi apresentado no Canal Brasil. “Tigre” (2013), seu segundo curta-metragem, foi exibido na Mostra de Tiradentes, na Semana dos Realizadores, ganhou menção honrosa no Festival Curta Cinema (RJ) e foi indicado pela Academia Brasileira de Cinema a melhor curta-metragem de 2014. Em 2015, realizou o filme experimental “Moto-perpétuo”, contemplado com o prêmio de estímulo ao cinema da Fundação Clóvis Salgado. O trabalho esteve no Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte e no Festival Mondial des Cinémas Sauvages (Bélgica). “Kappa Crucis” (2016) teve premiére na mostra competitiva do Visions du Réel, na Suíça, e foi exibido na Mostra de Tiradentes, tendo ainda ganhado prêmio de melhor fotografia na Mostra SESC de Cinema e melhor filme do júri popular no Festival Internacional de Curtas de São Paulo. “Rua Guaicurus” é seu primeiro longa-metragem e teve premiére na mostra competitiva do DOK Leipzig, na Alemanha, em 2019. No Brasil, foi exibido no forumdoc, no Festival Panorama Coisa de Cinema, no Cine Esquema Novo e no Mix Brasil. No festival SatyriCine Bijou, ganhou prêmio de melhor direção e de melhor atriz revelação. Atualmente, João trabalha no desenvolvimento do seu segundo longa-metragem, “Pedra de Gelo ao Sol”, e do curta “Adeus Calon” (2022), que teve sua premiére no 37º Festival Internacional de Cine em Guadalajara, onde ganhou o prêmio de melhor curta ibero-americano.

Sobre a Embaúba Filmes

A Embaúba Filmes é uma distribuidora especializada em cinema brasileiro, criada em 2018 e sediada em Belo Horizonte. Seu objetivo é contribuir para a maior circulação de obras autorais brasileiras. Ela busca se diferenciar pela qualidade de seu catálogo, que já conta com mais de 30 títulos, em pouco mais de 4 anos de atuação, apostando em filmes de grande relevância cultural e política. A empresa atua também com a exibição de filmes pela internet, por meio da plataforma Embaúba Play, que exibe não apenas seus próprios lançamentos, como também obras de outras distribuidoras e contratadas diretamente com produtores, contando hoje com mais de 500 títulos em seu acervo, dentre curtas, médias e longas-metragens do cinema brasileiro contemporâneo.

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