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CAÇA AOS UIGURES China ‘legaliza’ campos de concentração para muçulmanos

CAÇA AOS UIGURES China ‘legaliza’ campos de concentração para muçulmanos

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13/10/2018 às 13h20 Atualizada em 13/10/2018 às 16h20
CAÇA AOS UIGURES China ‘legaliza’ campos de concentração para muçulmanos

Bartô Granja, Edição

A China passou os últimos meses negando a existência de campos de concentração para “reeducação” de minorias muçulmanas. Nesta quarta-feira, 10, no entanto, a região de Xinjiang transformou o envio de muçulmanos uigures para campos de internação em lei e aumentou a preocupação internacional.

O programa é acusado de ser uma lavagem cerebral. Durante séculos, a China buscou restringir a prática do islamismo. Agora, a medida está prevista em lei “para promover uma transformação ideológica e impedir o extremismo”.

“Os governos locais passam a poder estabelecer organizações de reeducação e modificação religiosa e outros centros de monitorização de atividades extremistas, com o objetivo de transformar a mentalidade de pessoas que possam ter sido afetadas por ideias extremistas”, escreve o South China Morning Post, citando a nova lei.

A China nega que uma rede de campos secretos sejam utilizados para reeducação política ou detenções arbitrárias. Segundo as autoridades, alguns cidadãos culpados por crimes leves são enviados a “centros vocacionais” para que tenham melhores oportunidades de emprego. Além disso, afirmam que Xinjiang enfrenta sérias ameaças de combatentes islâmicos e separatistas, embora rejeitem acusações de maus-tratos.

Na região, organizações denunciam violência e tortura contra os uigures, com milhares de pessoas já tendo sido detidas e famílias inteiras desaparecido. Metade da população de 24 milhões de pessoas pertence a minorias étnicas muçulmanas. A maioria é de uigures, cuja religião, idioma e cultura, além do histórico de movimentos de independência e resistência ao domínio chinês, sempre irritaram Pequim.

Os uigures são uma das 56 etnias reconhecidas pelo governo. Eles vivem na região de Xinjiang, no noroeste do país. Eles se veem mais próximos cultural e etnicamente da Ásia Central do que da China, e falam uma língua próxima ao turco.

Em agosto, o Comitê da ONU para a Eliminação da Discriminação Racial manifestou “preocupação” com a situação da etnia. A vice-presidente do comitê, Gay McDougall, disse ter denúncias de que 2 milhões de uigures estariam sendo enviados para campos políticos de doutrinação. Segundo ela, o governo chinês “transformou a região autônoma uigur em algo parecido com um campo de concentração cercado de sigilo, numa zona sem direitos”.

O New York Times reportou que ex-detentos relatam que foram forçados a cantar músicas com letras elogiando o regime e quem não se lembrasse dos versos não recebia café da manhã.

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