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Mais de 600 pessoas são presas em protesto não autorizado em Moscou

Mais de 600 pessoas são presas em protesto não autorizado em Moscou

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03/08/2019 às 21h25 Atualizada em 04/08/2019 às 00h25
Mais de 600 pessoas são presas em protesto não autorizado em Moscou

Ativistas exigem participação da oposição em eleições legislativas

Por Deutsche Welle  Moscou

Pelo menos 600 pessoas foram detidas neste sábado (3) em Moscou, durante uma manifestação não autorizada exigindo a inscrição dos candidatos da oposição nas eleições à Assembleia Legislativa da capital russa, prevista para 9 de setembro.

De acordo com dados da organização não-governamental russa OVD-Info, que oferece assistência jurídica aos presos em manifestações políticas, uma das primeiras detidas foi a líder oposicionista Lyubov Sobol, jurista do Fundo de Luta contra a Corrupção, a quem as autoridades eleitorais negaram a inscrição da candidatura. Ela está há 20 dias em greve de fome, reivindicando seu direito de concorrer às eleições.

Law enforcement officers detain participants in a rally calling for opposition candidates to be registered for elections to Moscow City Duma, the capital's regional parliament, in Moscow, Russia August 3, 2019. REUTERS/Tatyana Makeyeva

Ativistas exigem participação da oposição em eleições legislativas convocadas para setembro  Reuters/Tatyana Makeyeva

Num vídeo publicado no Twitter, veem-se vários agentes de capacete rodearem o táxi de Sobol, um deles a arranca do veículo com violência. Em seguida, em meio a uma multidão de fotógrafos, colocam num furgão a ex-advogada da ONG Fundação Anticorrupção (FBK).

As autoridades moscovitas prepararam um grande aparato policial para impedir a manifestação da oposição, com o emprego até de helicópteros. As forças de segurança posicionaram, ao longo do Anel dos Boulevards, barreiras metálicas e ônibus de transporte de presos, e a internet ficou fora do ar no centro da capital russa. A extensão das avenidas e o caráter disperso da manifestação dificultou a contagem dos que atenderam à convocação.

"Pedimos aos cidadãos que não obstruam a passagem. Esta ação é ilegal e a participação nela pode acarretar sanções", afirmavam as advertências policiais transmitidas por alto-falantes. Outro alerta, com voz feminina, lembrava aos cidadãos que os membros da Guarda Nacional, mobilizada pelas autoridades, "são seus filhos".

No sábado anterior, a polícia dispersou violentamente uma manifestação convocada pelo mesmo motivo. Num recorde desde 2012, segundo a OVD-Info, foram detidos cerca de 1,4 mil participantes, inclusive quase todos os dirigentes que convocaram o protesto. Durante a semana, eles foram condenados a diversas penas de detenção administrativa.

Edição: Denise Griesinger

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