
Por Maurício Nogueira
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, nesta quinta-feira (20), que a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) não passa de uma “narrativa” e que está com a “consciência tranquila”. Usando expressão muito distante de ser elegante, ele afirmou que ignoraria a prisão. Diante de uma plateia de apoiadores, Bolsonaro minimizou a possibilidade de ser preso e debochou da situação. “O tempo todo falam: ‘Vamos prender o Bolsonaro’. Caguei para a prisão!”, ressaltou.
Durante evento com filiados do PL, Primeiro Seminário de Comunicação do Partido Liberal (PL), em Brasília, nesta quinta-feira (20), o Bolsonaro disse não ter “obsessão pelo poder”, mas “paixão pelo Brasil”.
Ele criticou as acusações, alegando que “todas as narrativas foram por água abaixo” e ironizou a denúncia da PGR. “Investiram pesadamente agora nessa última: golpe”, declarou. Na ocasião, o ex-chefe de governo e outras 33 pessoas foram denunciadas por tentativa de golpe de Estado.
A denúncia, apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) dois dias antes, aponta o ex-presidente como líder de uma organização criminosa que atuou contra a democracia. Segundo a PGR, o plano tinha um “projeto autoritário de poder”.
O órgão pede que Bolsonaro seja condenado por cinco crimes: liderança de organização criminosa armada; deterioração de patrimônio tombado; tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito; dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União; e golpe de Estado.
Pato Donald e Minnie
Bolsonaro ironizou as acusações e ridicularizou o fato de ter sido citado como articulador de um golpe enquanto estava nos Estados Unidos. “Eu estava lá com o Pato Donald e a Minnie, e tentei dar o golpe de 8 de janeiro aqui?”, questionou.
Agora, cabe ao STF decidir se aceita ou não a denúncia. Caso seja aceita, o ex-presidente se tornará réu e responderá a um processo penal, no qual poderá ser condenado e preso. Somadas, as penas máximas para os crimes citados podem ultrapassar 40 anos.
Além disso, Bolsonaro voltou a se apresentar como pré-candidato à Presidência em 2026, mesmo estando inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE): “Podem existir pessoas mais preparadas do que eu, mas eu tenho o couro mais grosso.”