
Por Maurício Nogueira
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Bets, no Senado Federal, ouve, nesta quarta-feira (21), o padre e influenciador digital Patrick Fernandes — ele recebeu convites de empresas para fazer publicidade de apostas on-line, e não aceitou. A comissão teve início por volta das 10h50. A senador Soraya Thronicke (Podemos-MS), relatora da CPI das Bets, agradeceu a presença do padre, que pediu para ser chamado ao colegiado. Logo no início da sessão, o padre chamou a atenção para os riscos dos jogos on-line. “Há famílias destruídas por conta de jogos. Temos visto os vícios em jogos se alastrar como nunca visto”, afirmou.
“Essa CPI tem a oportunidade de ser uma luz na escuridão, de verdade. E acho que vocês têm um dever como representantes do nosso país e do povo brasileiro para tentar, de alguma forma, amenizar este câncer que está tomando conta de tantas famílias, de tantas pessoas”, ressaltou.
O padre Patrick também detalhou a forma como os jogos on-line funcionam. “Vocês sabem que existe uma conta demo por trás. Quando eles (influenciadores) são contratados, aquilo não é ao vivo. Existe matéria, existe arquivo já, os meios de ocmunicação já exibiram matérias longas a respeito, a Polícia Federal já comprovou que existe uma conta demo por trás daquilo”, explicou.
“Esse estrago é gerado nos pobres, nas pessoas mais simples. Quem está tomado pelo vício do jogo são pessoas humildes, pessoas simples, pessoas que têm o mínimo para viver”, completou.
“Percepção social e moral”
Segundo o senador Dr. Hiran (PP-RR), presidente da CPI das Bets, a comissão considera importante ouvir figuras públicas que expressem a “percepção social e moral” da população sobre o tema. A escolha de Fernandes leva em conta o trabalho pastoral voltado à juventude e às famílias, além da frequência com que aborda, em suas redes sociais, assuntos relacionados à saúde emocional, vícios comportamentais e os efeitos do uso excessivo da tecnologia.
A CPI das Bets, iniciada em novembro de 2024, investiga a possível associação do setor de apostas com organizações criminosas e práticas ilícitas. A comissão pretende usar esses insumos na elaboração de políticas públicas de proteção aos grupos mais vulneráveis, especialmente os jovens. Com informações do Metrópoles.