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Lindbergh diz que Eduardo Bolsonaro faz “depredação simbólica” do STF

Para o líder do PT na Câmara, a postura de Eduardo nos EUA é manter atentado às instituições. Ele afirmou que pediu à PF o bloqueio das contas de Jair Bolsonaro e de remessas de recursos ao filho nos EUA

Redação
Por: Redação
02/06/2025 às 18h34 Atualizada em 02/06/2025 às 19h55
Lindbergh diz que Eduardo Bolsonaro faz “depredação simbólica” do STF
Lindbergh Farias, líder do PT na Câmara • Reprodução/CNN

Por Maurício Nogueira

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), declarou nesta segunda-feira (2) que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) está fazendo uma "depredação simbólica" do Supremo Tribunal Federal (STF) nos Estados Unidos. Lindbergh conversou com a imprensa após prestar depoimento à Polícia Federal nesta tarde. A oitiva foi no âmbito do inquérito que investiga o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por supostamente atuar, fora do país, contra autoridades brasileiras. Segundo o líder do PT, a conduta de Eduardo nos EUA se trata de um atentado continuado ao Estado Democrático de Direito.

Lindbergh também anunciou que pediu à Polícia Federal (PF) o bloqueio das contas do ex-presidente Jair Bolsonaro e de eventuais remessas de recursos a Eduardo. O líder do PT disse ter apresentado 600 manifestações do filho do ex-presidente.  O pedido para investigar o deputado do PL surgiu após Lindbergh Farias apresentar, em 22 de maio, uma representação pelos supostos crimes de atentado à soberania nacional, abolição do Estado Democrático de Direito e coação no curso de processo.

"Na nossa avaliação, a conduta de Eduardo Bolsonaro ainda é a mesma [da trama golpista]. Qual é a diferença do que Eduardo Bolsonaro faz, de um daqueles golpistas que depredou o Supremo? É uma depredação simbólica do Supremo. Uma articulação internacional para sancionar ministros do Supremo, Procurador-Geral, delegados da Polícia Federal. É isso que está sendo feito aqui", disse.

O deputado federal é autor da queixa-crime enviada à Procuradoria-Geral da República (PGR) que deu origem ao inquérito, aberto pela PF.

Segundo Lindbergh, o objetivo do depoimento foi tentar mostrar uma relação de causa e efeito entre a trama golpista, em investigação no STF, e a conduta de Eduardo, que pediu licença do mandato parlamentar para morar nos Estados Unidos, em fevereiro (relembre mais abaixo).

"A gente sabe que o que Eduardo Bolsonaro está fazendo lá é atrapalhar a investigação. É um crime continuado, eles continuam atacando as instituições", prosseguiu."É uma forma de manutenção dessa organização criminosa fora do país".

Segundo Lindbergh, "estamos caminhando para uma crise diplomática seríssima". Portanto, a equipe jurídica entrou com uma ação pedindo o bloqueio imediato dos bens de Jair Bolsonaro, como medida cautelar.

"A peça que entregamos, o item D também prevê a quebra do sigilo bancário e fiscal de Jair Bolsonaro e demais investigados para rastrear valores enviados ao exterior, com indício de desvio de finalidade na arrecadação por PIX", detalha.

Pedido da PGR

Segundo a PGR, desde o ano passado o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) vem "reiteradamente e publicamente afirmando que está se dedicando a conseguir do governo dos Estados Unidos a imposição de sanções contra integrantes do Supremo Tribunal Federal".

Com isso, a procuradoria pediu ao STF que determinasse a abertura de um inquérito na PF. Na denúncia enviada ao Supremo, a procuradoria citou postagens em redes sociais e entrevistas a veículos de imprensa dadas por Eduardo Bolsonaro.

De acordo com a procuradoria, o deputado licenciado pode estar tentando intimidar a Justiça brasileira no caso contra o pai dele, conduta que pode confirmar crimes como:

- coação no curso do processo;

 - possível obstrução à investigação de infração penal que envolva organização criminosa.

'Perseguição' e temor de prisão

Em março deste ano, Eduardo Bolsonaro anunciou licença do mandato parlamentar para morar nos Estados Unidos, onde está desde o fim de fevereiro. Segundo ele, a decisão foi tomada porque ele era "perseguido" no país.

Ao anunciar a decisão, ele fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, responsável pelo inquérito que tornou réu o seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe de Estado em 2022.

O parlamentar disse que teme ser preso por ordem do STF e não informou por quanto tempo pretende morar nos EUA.

Eduardo Bolsonaro se posicionou, em entrevista à CNN nesta segunda (2). Ele declarou que o intuito dessa movimentação de Farias e do PT é tirá-lo das Eleições de 2026. Segundo ele, não há outra razão para o líder do PT na Câmara agir como está agindo. Em clara demonstração vitimista, o filho do ex-presidente segue a linha de defesa repisada pelo patriarca do clã. 

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