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Presidente da CPMI do INSS: “Eu não estou aqui do lado do atual governo, nem do governo passado”

Carlos Viana (Podemos-MG) declarou que “a minha função é dar respostas, especialmente, aos aposentados”

Redação
Por: Redação
20/08/2025 às 17h28 Atualizada em 20/08/2025 às 20h56
Presidente da CPMI do INSS: “Eu não estou aqui do lado do atual governo, nem do governo passado”
CPMI: Presidente é o senador, Carlos Viana (Podemos-MG) e o relator é o deputado bolsonarista Alfredo Gaspar (União Brasil-AL)

Por Maurício Nogueira

O senador Carlos Viana (Podemos-MG) e presidente eleito da CPMI do INSS, que investigará o roubo bilionário a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), garantiu que buscará respostas para as vítimas do esquema criminoso e trabalhará para dar fim à prática de se colocar escândalos debaixo do tapete. Viana entende que a vitória nesta quarta-feira (20) se deu como resultado do embate natural em uma articulação. A surpresa ficou por conta da derrota de indicados pela cúpula do Congresso Nacional ao comando da comissão parlamentar mista de inquérito.

Ele lembrou sua atuação como relator da CPI de Brumadinho no Senado, Carlos Viana destacou o fortalecimento da legislação sobre licenças ambientais contra novos crimes na mineração. E disse desejar aplicar, com o relator Alfredo Gaspar (União-AL) o mesmo rigor, convocando todos suspeitos e investigados.

“Todos os dados que forem colocados pela CPMI serão transformados em projetos de lei, para que a gente nunca mais permita que o INSS seja assaltado da forma como foi. E digo com muita clareza para vocês: chega de colocar escândalo debaixo do tapete. Vamos convocar todas as pessoas que forem necessárias, todos os personagens, independentemente de parentesco, de origem, de riqueza, o que quer que seja. Nosso compromisso é com uma CPMI que dê esclarecimento. (Explique) Como isso aconteceu. E que a gente possa evitar que não aconteça no futuro” afirmou Viana, à CNN Brasil.

O presidente da CPMI do INSS pontuou que sempre esteve na disputa pelo comando da CPMI, mas evitou fortes pressões ao manter pedidos de apoio nos bastidores, até finalizar na noite de ontem.

A estratégia desbancou o senador Omar Aziz (PSD-AM), anunciado na semana passada para presidir a CPMI, indicado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP); e o deputado federal Ricardo Ayres (Republicanos-TO), indicado como relator pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-RN), na sexta-feira (15).

“O que se conseguiu aqui é a independência do parlamento. Ganha quem tem voto, nesta Casa. […] Ganha quem tem mais apoio e, principalmente, quem é independente. Porque a minha posição aqui é muito clara. Eu não estou aqui do lado do atual governo, nem do governo passado. Estou aqui pela população brasileira. A minha função é dar respostas especialmente aos aposentados”, comprometeu-se Viana.

Viana antecipou que serão convocados todos os ministros da Previdência dos últimos governos, para que prestem contas do que fizeram e não fizeram para coibir os assaltos.

Além disso, ele afirmou que buscará informações sobre como e quais centrais sindicais e associações de aposentados conseguiram autorizações do INSS para realizarem descontos ilegais de R$ 6,3 milhões nas aposentadorias e pensões.

“Vamos fazendo as convocações para ouvirmos, sem criar nenhum tipo de julgamento antecipado. É muito importante que todos tenham direito de defesa. E tenham, aqui, o espaço necessário para esclarecer. Mas queremos ouvir todos os envolvidos nessa história”, concluiu o senador Carlos Viana.

A investigação do esquema em que associações enganaram brasileiros vulneráveis com o aval do INSS, desde 2019, era uma cobrança da oposição ao governo de Lula, desde a deflagração da Operação Sem Desconto, em abril deste ano 2025. E foi adiada pela inércia de Hugo Motta e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

A investigação resultou no afastamento do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, nomeado por Lula. Vale ressaltar que a ação criminosa, que desviou mais de R$ 6 bilhões, começou no governo Bolsonaro, atravessou o início do governo Lula em continuidade até que fora divulgada pelo portal Metrópoles.

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