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Lula fala em “traidores da pátria”, mas não cita os EUA em pronunciamento pelo 7/9

“Somos capazes de governar e cuidar da nossa terra e da nossa gente, sem interferência de nenhum governo estrangeiro“, disse.

Redação
Por: Redação
07/09/2025 às 06h18
Lula fala em “traidores da pátria”, mas não cita os EUA em pronunciamento pelo 7/9
Reprodução/YouTube/Lula

Por Maurício Nogueira

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu recados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a Jair e Eduardo Bolsonaro (PL), sem cita-los, no pronunciamento deste sábado, 6, véspera do feriado da Independência.

Em discurso exibido nas redes abertas de rádio e televisão, o petista voltou a apostar no discurso da soberania nacional em reação às tarifas de 50% impostas pelo governo americano sobre produtos brasileiros enviados ao país, em vigor desde 6 de agosto.

“Somos capazes de governar e cuidar da nossa terra e da nossa gente, sem interferência de nenhum governo estrangeiro. Mantemos relações amigáveis com todos os países, mas não aceitamos ordens de quem quer que seja“, afirmou.

Mesmo sem menção a Trump, a relação mais evidente é ao republicano ter citado uma “caça às bruxas” do Judiciário brasileiro contra Bolsonaro em tentativa de pressionar o STF (Supremo Tribunal Federal) a recuar na iminente condenação do ex-presidente, cujo julgamento termina em 12 de setembro.

“Defendemos nossa riqueza, meio ambiente, instituições e democracia, e resistiremos a qualquer um que tente golpeá-la“, seguiu o presidente. Bolsonaro é réu por suposta tentativa de ruptura institucional após perder a eleição de 2022 para o atual mandatário.

“É inadmissível que políticos brasileiros estimulem ataques ao Brasil. Foram eleitos para defender os interesses do povo brasileiro, mas defendem apenas seus interesses pessoais. São traidores da pátria“, concluiu.

Filho do ex-presidente, Eduardo se licenciou do mandato e foi aos EUA em março com o objetivo declarado de articular reações do governo americano ao Supremo, em pacote que inclui o tarifaço, a revogação de vistos e o enquadramento do ministro Alexandre de Moraes na Lei Magnitsky.

A reação firme à Casa Branca tem rendido frutos para Lula, que superou seus piores índices de popularidade e viu a aprovação do governo subir em meio ao atrito com Trump. Além disso, o discurso da soberania deve dar a tônica de mobilizações governistas previstas para este domingo, em data que tem sido dominada nas ruas pelo bolsonarismo.

Clique aqui para assistir o pronunciamento do presidente Lula. 

Ou leia a íntegra do discurso:

"Querido povo brasileiro, amanhã, 7 de setembro, é dia de celebrarmos a Independência do Brasil. É uma boa hora para a gente falar de soberania.

O 7 de Setembro representa o momento em que deixamos de ser colônia e passamos a conquistar nossa independência, nossa liberdade e nossa soberania.

Na época da colonização, nosso ouro, nossas madeiras, nossas pedras preciosas, nada disso pertencia ao povo brasileiro. Toda nossa riqueza ia embora do Brasil para ajudar a enriquecer outros países.


Mais de 200 anos se passaram e nós nos tornamos soberanos. Não somos e não seremos novamente colônia de ninguém. Somos capazes de governar e de cuidar da nossa terra e da nossa gente, sem interferência de nenhum governo estrangeiro.

Mantemos relações amigáveis com todos os países, mas não aceitamos ordens de quem quer que seja. O Brasil tem um único dono: o povo brasileiro.

Por isso, defendemos nossas riquezas, nosso meio ambiente, nossas instituições. Defendemos nossa democracia e resistiremos a qualquer um que tente golpeá-la.

É inadmissível o papel de alguns políticos brasileiros que estimulam os ataques ao Brasil. Foram eleitos para trabalhar pelo povo brasileiro, mas defendem apenas seus interesses pessoais. São traidores da pátria. A história não os perdoará.


Minhas amigas e meus amigos, a soberania pode parecer uma coisa muito distante, mas ela está no dia a dia da gente. Está na defesa da democracia e no combate à desigualdade, a todas as formas de privilégios de poucos em detrimento do direito de muitos. Está na proteção das conquistas dos trabalhadores, no apoio aos jovens para que eles tenham um futuro melhor, na criação de oportunidades para os empreendedores e nos programas que ajudam os mais necessitados.

Se temos direito a essas políticas públicas, é porque o Brasil é um país soberano e tomou a decisão de cuidar do povo brasileiro.

Minhas amigas e meus amigos, um país soberano é um país fora do Mapa da Fome, que zera o Imposto de Renda de quem ganha até R$ 5 mil enquanto taxa os super-ricos que hoje não pagam quase nada. Que cresce acima da média mundial e registra menor índice de desemprego de todos os tempos. Um país com a coragem de fazer a maior operação contra o crime organizado da história, sem se importar com o tamanho da conta bancária dos criminosos.

Este país soberano e independente se chama Brasil.


Minhas amigas e meus amigos, desde o início do nosso governo, concentramos esforços na abertura de novas parcerias comerciais. Em apenas dois anos e oito meses, abrimos mais de 400 novos mercados para as nossas exportações. Defendemos o livre comércio, a paz, o multilateralismo e a harmonia entre as nações, mas nunca abriremos mão da nossa soberania.

Defender nossa soberania é defender o Brasil.

Cuidamos como ninguém do nosso meio ambiente. Reduzimos pela metade o desmatamento na Amazônia, que, em novembro, vai sediar a COP30, maior conferência mundial sobre o clima.

Defendemos o Pix de qualquer tentativa de privatização. O Pix é do Brasil. É público, é gratuito e vai continuar assim.


Reconhecemos a importância das redes digitais. Elas oferecem informação, conhecimento, trabalho e diversão para milhões de brasileiros, mas não estão acima da lei. As redes digitais não podem continuar sendo usadas para espalhar fake news e discurso de ódio. Não podem dar espaço à prática de crimes como golpes financeiros, exploração sexual de crianças e adolescentes e incentivo ao racismo e à violência contra as mulheres.

Zelamos pelo cumprimento da nossa Constituição, que estabelece a independência entre os Três Poderes. Isso significa que o presidente do Brasil não pode interferir nas decisões da justiça brasileira, ao contrário do que querem impor ao nosso país.

Minhas amigas e meus amigos, este é o momento em que a História nos pergunta de que lado estamos. O governo do Brasil está do lado do povo brasileiro. Povo que acorda cedo, todos os dias, para trabalhar pela prosperidade da sua família.

Este é o momento da união de todos em defesa do que pertence a todos: a nossa Pátria brasileira e as cores da bandeira do nosso país.


A história nos coloca diante de um grande desafio e pergunta se somos capazes de enfrentá-lo. E nós dizemos: sim. Temos fé, experiência e coragem para seguir cuidando do nosso futuro e da esperança da nossa gente.

Que Deus abençoe o Brasil.

Um abraço, e feliz Dia da Independência."

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