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Desfile sem ministros do STF em Brasília e atos pró-anistia pelo país

Enquanto presidente Lula participou de evento na Esplanada, o resto do país se dividiu entre atos contra e a favor da anistia de Bolsonaro

Redação
Por: Redação Fonte: Enquanto presidente Lula participou de evento na Esplanada, o resto do país se dividiu entre atos contra e a favor da anistia de Bolsonaro
08/09/2025 às 10h46
Desfile sem ministros do STF em Brasília e atos pró-anistia pelo país
Reprodução / Rede social

Por Maurício Nogueira

O domingo do 7 de Setembro dividiu-se entre o desfile cívico-militar na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, e atos a favor e contra a anistia do ex-presidente Jair Bolsonaro, aliados e condenados pelo 8 de Janeiro.

Na capital federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva festejou o Dia da Independência do Brasil ao lado de nomes como o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o vice-presidente, Geraldo Alckmin.

No Rio de Janeiro, em São Paulo e diversas outras cidades pelo Brasil, muitas manifestações se espalharam. A maioria delas tinha o tom bolsonarista. Nas duas capitais citadas, bandeiras brasileiras e dos Estados Unidos tomaram conta das ruas.

Em São Paulo, o ato reuniu cerca de 42,2 mil pessoas, segundo cálculo do Monitor do Debate Político do Cebrap e da ONG More in Common. A contagem foi feita a partir de fotos aéreas analisadas por software de inteligência artificial.

Em Brasília

O evento, realizado na Esplanada dos Ministérios, começou às 9h e terminou próximo das 11h30. Os atos acontecem em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe no STF (Supremo Tribunal Federal).

Na Esplanada, a ausência dos ministros do STF foi notada por observadores mais atentos.

O uso de camisa verde e amarela incentivada pelo governo e a arquibancada entoando gritos de “sem anistia” foram as principais mensagens passadas no local. Ainda assim, estiveram presentes muitos participantes de vermelho, a cor do PT.

Após o encerramento do ato, Lula desceu do palanque e cumprimentou o público que esteve presente. Segundo dados oficiais, 45 mil pessoas acompanharam o desfile governista.

A dois quilômetros dali, o verde e amarelo estavam muito mais presentes na manifestação dos bolsonaristas, ao lado da Torre de TV.

Neste domingo (7), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa do desfile cívico-militar de 7 de Setembro, Dia da Independência do Brasil, ao lado de autoridades em Brasília. Acompanham a cerimônia na capital federal o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o vice-presidente, Geraldo Alckmin.

Em São Paulo

Na Avenida Paulista, em São Paulo, diversas lideranças da oposição se reuniram às 15h para a manifestação. Nomes como Tarcísio de Freitas, Valdemar Costa Neto, Michelle Bolsonaro e Silas Malafaia discursaram de cima de um trio elétrico, em ato batizado de Reaja Brasil.

Antes de meio-dia, porém, manifestantes começam a se aglomerar no local. Eles estenderam uma bandeira gigante dos Estados Unidos em frente ao Masp (Museu de Arte de São Paulo).

Também era possível ver faixas pedindo que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), coloque o projeto em votação, e que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), dê andamento ao processo de impeachment do ministro Alexandre de Moraes.

O Partido Novo levou à Paulista um boneco inflável com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com roupa de presidiário e, ao lado, um ovo inflável em que está escrita de vermelho a frase “Perdeu, mané” (referência a Moraes).

Um dos principais pontos dos discursos esteve na anistia de Bolsonaro, aliados e participantes do 8 de Janeiro, como pontuou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

“Só tem um candidato para nós, que é Jair Messias Bolsonaro”, disse na Avenida Paulista. Bolsonaro está inelegível por decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). “Eu tenho certeza que indo para urna, ele vai vencer as eleições”, afirmou.

Tarcísio defendeu uma anistia ampla, para incluir Bolsonaro, aos condenados por tentativa de golpe de Estado. “Essa festa não está completa porque Jair Messias Bolsonaro não está conosco”, disse. Em outro momento, ele mandou um recado para o presidente da Câmara, Hugo Motta: “Paute a anistia”.

Valdemar Costa Neto, presidente do PL, foi pelo mesmo caminho. “Nós não temos plano B. O nosso plano é Bolsonaro presidente”, afirmou. “Não houve golpe. O que aconteceu em Brasília foi uma baderna generalizada”, continuou.

Valdemar chamou o julgamento do núcleo 1 da trama golpista no STF de “injusto”. E afirmou que o resultado do processo não importa muito por causa das movimentações no Congresso. “Nós vamos aprovar a anistia. Nós temos maioria para aprovar a anistia”, assegurou.

Chorando muito, Michelle Bolsonaro escolheu um discurso emotivo. Disse que está tendo que se desdobrar para cuidar do ex-presidente e de suas funções no PL. Lembrou do atentado sofrido em Juiz de Fora e do 7 de Setembro de 2022.

“É muita maldade o que estão fazendo com a gente”, discursou, chamando de “humilhação” ter a presença da família próximo à casa onde vive com Bolsonaro e a revista dos carros que deixam a residência. “Eu choro, porque está pesado demais”, disse.

Em Copacabana

No Rio de Janeiro, em Copacabana, Flávio Bolsonaro regia a manifestação pedindo anistia ao pai e aliados.

O senador iniciou sua fala durante o ato indicando que os participantes da manifestação deste domingo fizeram um “milagre”: “Petista vestir camisa verde e amarela, petista falar que defende sua pátria”.

Ainda de acordo com Flávio, “outro milagre” que os bolsonaristas fariam está ligado à anistia: “Por causa da mobilização que a gente vai aprovar anistia e não vai demorar”, reforçando o apelo pela anistia “ampla, geral, irrestrita e imediata”.

Segurança em Brasília

A segurança na Esplanada foi reforçada desde o início da semana devido à ação contra o ex-chefe do Executivo.

O Comando Móvel da Polícia Militar do Distrito Federal foi deslocado ao local. Unidades especializadas da corporação, como Cavalaria, BPCães e Bope, e da Polícia Civil, como a Divisão de Operações Especiais (DOE) e a Divisão de Operações Aéreas (DOA), também de prontidão. Toda a região é monitorada por câmeras e drones.

A ausência dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), o uso de camisa verde e amarela incentivada pelo governo, e a arquibancada entoando gritos de “sem anistia”. Essas foram as principais mensagens passadas neste 7 de Setembro, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

Em Brasília está tudo pronto para o desfile de 7 de setembro.Play Video
Segurança é reforçada na Esplanada dos Ministérios para o desfile de 7 de setembro
por Brasília

Ministros

Estiveram presentes os seguintes ministros:

Ricardo Lewandowsky, da Justiça;
Esther Dweck, da Gestão e Inovação em Serviços Públicos;
Rui Costa, da Casa Civil;
Marina Silva, do Meio Ambiente;
Wolney Queiroz, da Previdência Social;
Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação;
Margareth Menezes, da Cultura;
Celso Sabino, do Turismo;
Anielle Franco, da Igualdade Racial;
Macaé Evaristo, dos Direitos Humanos e Cidadania;
Camilo Santana, da Educação;
Jáder Filho, das Cidades;
Renan Filho, dos Transportes;,
Luciana Santos, Ciência, Tecnologia e Inovação
André Fufuca, do Esporte;
Simone Tebet, do Planejamento e Orçamento;
Márcio Macedo, Secretária Geral da Presidência da República;
Alexandre Silveira, Minas e Energia;
Celso Amorim, das Relações Exteriores.
Os ministros do Turismo, Celso Sabino, e do Esporte, André Fufuca, mesmo com os cargos ameaçados por decisões de seus próprios partidos, estiveram ao lado de Lula.

O PP, de Fufuca, e o União Brasil, de Sabino, anunciaram que vão sair do governo. No documento em que comunicaram a decisão, as siglas afirmaram que os seus filiados deveriam entregar os cargos na gestão do presidente Lula.

Programação
O desfile, cujo tema central foi “Brasil Soberano”, teve em três eixos temáticos: Brasil dos Brasileiros; COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025) e Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento); e Brasil do Futuro.

A liberação do público para solenidade aconteceu às 6h30. Além dos blocos definidos pelo governo, o desfile contou com a tradicional Esquadrilha da Fumaça e a “pirâmide humana” do Batalhão de Polícia do Exército de Brasília.

Olha, mais de 50 mil pessoas são esperadas para o desfile de 7 de setembro, neste domingo,Play Video
Desfile de 7 de Setembro espera mais de 50 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios
por Brasília

Foi o 11º desfile de Lula — oito participações entre 2003 e 2010, além da presença dele nas cerimônias de 2023 e 2024.

No primeiro ano deste mandato, o evento ocorreu oito meses depois dos episódios extremistas do 8 de Janeiro, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas.

Soberania em destaque

Em meio ao discurso de soberania nacional, o governo tem reforçado a estratégia de desassociar a camisa verde e amarela como símbolo da direita.

Em publicação nas redes sociais na semana passada, divulgou vídeo convidando a população a comemorar o dia da Independência Nacional com a camisa das cores da bandeira.

“Está na hora de tirar a camisa verde-amarela do armário e mostrar para todo mundo o seu orgulho de ser brasileiro. Passe para frente esta mensagem e lembre sempre que esse país é nosso”, disse o texto.

Porque o governo federal decidiu usar o feriado da independência como oportunidade para falarPlay Video
Governo federal incentiva uso da camisa da seleção brasileira no 7 de setembro
por Brasília

O tema da “soberania” tem sido recorrente nas narrativas do governo desde a determinação de Trump. Além de críticas constantes nas falas de Lula, o presidente decidiu mudar o slogan da gestão nos últimos dias.

O petista começou na última semana a divulgação da campanha do novo slogan do governo federal. A frase foi apresentada pelo ministro da Secom (Secretaria de Comunicação Social da presidência), Sidônio Palmeira, durante reunião ministerial.

O slogan “Governo do Brasil: do lado do povo brasileiro” reflete a defesa da soberania nacional adotada pelo Executivo em meio à tensão comercial com os EUA. A nova frase substituiu o bordão “União e Reconstrução”, usado desde o início do mandato.

Lula publicou o novo slogan nas redes sociais. “Esse governo tem lado. O lado do Brasil contra quem ameaça a nossa soberania. O lado do povo contra os privilégios e as injustiças que impedem nossas famílias de prosperar. O lado de quem trabalha, empreende e move o nosso país”, escreveu o presidente.

 

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