
Por Maurício Nogueira
Apesar do anúncio de desembarque do governo, União Brasil e o Progressista ainda ocupam mais de 140 cargos pela Esplanada. O levantamento foi feito pelo jornal O Globo com base na lista de filiados dos dois partidos. São 97 indicados pelo União e 43 pelo PP. Na semana passada, o ministro do Turismo, Celso Sabino, entregou a carta de demissão a Lula após receber o ultimato do partido dele para sair do cargo, mas ainda aposta num diálogo e torce para conseguir se manter no cargo. O União Brasil afirmou que pode até expulsar os filiados que insistirem em permanecer no atual governo.
A maioria dos cargos ocupados pelo Centrão estão em autarquias com orçamentos bilionários. O Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) é comandado por um indicado do PP. A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) tem vários indicados pelo União Brasil, em cargos, inclusive, de diretoria.
Os órgãos são subordinados ao Ministério de Integração e Desenvolvimento Regional, comandado por Waldez Góes. Apesar de não ser do União Brasil, ele foi indicado ao cargo pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que é da legenda. A Codevasf, também de orçamento bilionário, teve o comando indicado por Alcolumbre.
Ainda segundo o levantamento do Globo, a autarquia abriga três filiados do PP e dois do União Brasil. A legenda, que deu ultimato aos filiados nas últimas semanas, ainda tem integrantes do partido em cargos do Palácio do Planalto, da Funai e do Ministério da Saúde.
Após a carta de demissão de Sabino, a expectativa é que os outros filiados do União Brasil também deixem os cargos. Alguns, no entanto, devem pedir para sair do partido para permanecer no governo. O PP desembarcou do governo, mas deu um prazo de 30 dias para a saída dos filiados, que termina no início de outubro.
O cientista político Nauê Bernardo afirma que cada um terá que fazer o cálculo político antes de tomar a decisão final. "Você já tem um certo nível de infidelidade partidária por parte desses dois partidos, que agora se federaram. E isso não deve mudar a partir do desembarque do governo. Só que o custo político acaba aumentando mais, uma vez que eles se colocam em um lugar mais próximo de oposição do que estavam antes".
"Será preciso analisar como que essa saída, essa postura, vai impactar nos cargos dessas outras pessoas, que também podem ser muito importantes nas bases político-eleitorais desses parlamentares que apadrinham esses cargos", analisa.
A saída deles deve abrir uma disputa por cargos por outros partidos. PSD e PDT, por exemplo, já demonstraram interesse. Mas, Lula já disse a aliados que não pretende dar espaço a quem quiser se candidatar em 2026 porque terá que deixar o cargo em abril – fim do prazo para desincompatibilização.