
Por Maurício Nogueira
O governo teve que engolir a derrota com a supressão de pauta da medida provisória que previa taxação de aplicações financeiras como a antecipação da disputa eleitoral de 2026. Aliados de Lula afirmam que o Congresso "virou a chave" para a corrida presidencial e que o Planalto não pode mais contar com o Centrão na aprovação de projetos de interesse do Executivo. O PT vai investir novamente no discurso dos ricos contra os pobres, retomando a expressão “Congresso Inimigo do Povo” nas rede sociais. Lideranças do partido afirmam que a partir de agora irão traçar um “risco no chão”, separando quem defende os Bancos, Bets e Bilionários, e quem está da lado do trabalhador.
Sem a perspectiva de colaboração dos parlamentares a partir de agora, a equipe econômica de Lula estuda formas de cortar despesas no orçamento do ano que vem.
Governistas também levantam a possibilidade de publicar decretos que possam aumentar impostos regulatórios, que não dependem da aprovação do Congresso, como IOF e o imposto sobre importação.
A articulação para derrota do governo contou com a participação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. De acordo com aliados dele, Tarcisio teria ajudado a convencer deputados a votarem contra a matéria, junto com esforço dos presidente de partidos de centro, Antonio Rueda, do União Brasil, Ciro Nogueira, do PP, e Marcos Pereira, do Republicanos.
A medida provisória uniformizava em 18% a taxa de Imposto de Renda sobre investimentos como ações, cotas de fundos, títulos e valores mobiliários. Antes cada aplicação no mercado tinha um valor diferente de imposto cobrado.
O governo chegou a ceder a pressão de parlamentares, mantendo dois investimentos isentos de cobrança: as Letras de Crédito Imobiliário, as LCI, e Letras de Crédito do Agronegócio, LCAS. O relator da matéria, Carlos Zaratinni, do PT, afirma que o centrão fechou um acordo e não cumpriu.