
Por Carlos Ferreira
Um jato do modelo Embraer E195 da Azul Linhas Aéreas, de matrícula PR-AYN, fez um pouso de emergência no aeroporto internacional Tom Jobim (RIOgaleão), na quarta-feira, 11 de novembro. Os dados foram informados pela companhia aérea ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), da Força Aérea Brasileira.
O que houve
Segundo o relatório registrado no CENIPA, a aeronave decolou às 20h17 de quarta-feira de São Paulo (Congonhas) com destino a Belo Horizonte (Confins) para a realização do voo regular AD-4133. A bordo iam cinco tripulantes e noventa e nove passageiros.
O voo entre as capitais paulista e mineira dura geralmente pouco menos de uma hora, no entanto, quando já a caminho de iniciar a aproximação, a tripulação observou que as condições meteorológicas estavam adversas em BH e que o pouso não poderia acontecer ali, levando-os a mudar o destino para o Rio de Janeiro (aeroporto de alternativa).
Quando já em aproximação para o Rio, dado o tráfego aéreo do momento e à necessidade de seguir um sequenciamento para o pouso, os pilotos julgaram que havia o risco da aeronave acabar num nível muito baixo de combustível e, portanto, decidiram por declarar emergência e terem prioridade no pouso. No reporte do CENIPA, consta a informação de que o pedido de emergência “ocorreu de maneira preventiva, a fim de manter o nível de combustível a bordo dentro da margem de segurança”.
Depois disso, o pouso ocorreu normalmente no Galeão.
Combustível reserva
Observa-se nesse caso que o avião decolou “leve” de São Paulo, ou seja, com combustível suficiente para o voo de uma hora e mais a alternativa de uma hora. A emenda nº 08 do Regulamento Brasileiro da Aviação Civil – RBAC nº 121 e dispõe a regra de disponibilidade de combustível a bordo em sua seção 121.645. Segundo ela “o detentor de certificado deve levar a bordo quantidade suficiente de combustível utilizável para completar o voo planejado com segurança e para permitir desvios com relação à operação planejada”.
Pela lei, o avião deve ter combustível suficiente para voar à sua alternativa e considerar uma reserva final “que deve ser a quantidade de combustível calculada usando o peso estimado para o avião no momento da chegada ao aeródromo de alternativa de destino, ou ao aeródromo de destino quando nenhum aeródromo de alternativa de destino for requerido” e que “para aviões com motor a turbina, a quantidade de combustível requerida para voar por 30 minutos a velocidade de espera a 450 m (1500 pés) sobre a elevação do aeródromo em condição de atmosfera padrão”.
Nesse caso, não temos os dados do voo, mas os pilotos entenderam que uma espera prolongada devido ao tráfego aéreo poderia colocar a aeronave em risco de resultar abaixo do limite de combustível e, portanto, decidiram por priorizar a segurança dos passageiros e solicitaram a prioridade para o pouso.